à cerca do Bom Sucesso.

19 05 2011

“Mercado do Bom Sucesso | Informação 

A Ordem dos Arquitectos – Secção Regional do Norte, OASRN, tendo tido conhecimento através dos meios de comunicação social, da proposta seleccionada para a reabilitação do Mercado do Bom Sucesso que preconiza um programa de reconversão de características distintas das que deram origem ao Edifício, manifesta preocupação pela transformação irreversível daquele que constitui um dos mais emblemáticos mercados da cidade.

O Mercado do Bom Sucesso, obra do atelier ARS Arquitectos, de Fortunato Cabral, Morais Soares e Cunha Leão, projectada em 1949 e inaugurada em 1952, foi recentemente classificado como Monumento de Interesse Público, conforme Portaria 250/2011 de 25 de Janeiro do Ministério da Cultura, que fundamenta a classificação do Mercado “no seu valor arquitectónico, enquanto exemplar notável da arquitectura modernista dos anos 50, no seu valor urbanístico e sócio -cultural, enquanto edifício de referência na paisagem urbana da cidade do Porto e na vivência da população, constituindo um espaço privilegiado de encontro de gerações e classes sociais”. 

Atendendo à necessidade de uma intervenção urgente e requalificadora do Mercado do Bom Sucesso, que inverta o actual processo de degradação e perspective a possibilidade de uma reabilitação integral do projecto e usos originais, a OASRN considera que, com o projecto previsto e face às dúvidas que publicamente se levantam, não estão reunidas as condições essenciais que permitam, com ele, prosseguir qualquer estratégia de actuação para a salvaguarda dos critérios da sua classificação.

A OASRN manifesta a total disponibilidade para mediar um debate aberto à participação cívica sobre o futuro do Mercado do Bom Sucesso, na perspectiva de ser ainda possível encontrar uma solução consensual para o mesmo.

José Fernando Gonçalves, Arquitecto
Presidente do Conselho Directivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos”

in http://www.oasrn.org/comunicacao.php?pag=mensageiro&idmen=51&idnot=794

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Admito a preocupação… no entanto tem-se gerado, a meu ver uma preocupação desmedida com o que consideramos hoje património e herança.

Um edifício com a configuração única do Bom Sucesso e o espaço ímpar que gera no seu interior devem ser levados em conta em qualquer ocasião, não apenas quando alguma decisão é tomada.
Pessoalmente, causa-me muito mais incomodo ver património a entrar em decadencia, em desuso ou abandono, do que fazer algo pelo mesmo.

É subversido considerar tornar local de tamanha importância para a cidade num “parque temático”? Talvez… porém levemos em consideração a sociedade em que vivemos. Se são shopping centers que move a sociedade, então que existam shopping centers com a qualidade espacial de um “Bom Sucesso”!
Não podemos continuar a procurar conservar os edificios, conservando igualmente as suas funções e usos. É inadequado e fantasioso continuarmos a viver num mundo onde é preferível “manter” todas as as características iniciais, sem levar em conta a nossa contemporaneidade, que por mais que nos desagrade, é a que temos e aquela que deveremos servir.

"Bom Sucesso não faz sentido como mercado"

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Hipertexto às Portas

6 05 2011

Inês | Irene | Barcelona | Uma deriva de 3 dias, amplificada em determinados pólos, com apoio de 2 mapas de escalas diferentes, umas solas gastas e energia inesgotável. Resta-nos a lembrança de um clima contagiante e ambiente viciante e imagens, que mais que captadas por objectivas, foram registadas de forma intensa na memória sedenta de cultura e de história.





Limpeza com adição

17 02 2011

Imagem 1. Ilusão | Construção de uma realidade paralela através da aplicação de um revestimento relacionado com a história e passado da cidade, minimizando o seu impacto negativo na paisagem. [@Viaduto da Areosa | ialves2011©]





somewhere in wonderland…

7 02 2011

 

da mutação dos lugares | De um império empolado a um presente em que o turismo se impõe.  Castelos de contos de fadas isolados das vilas e cidades tornam-se visita de milhares de pessoas e desempenham hoje testemunho de um passado não muito distante.

Noutros casos, numa realidade muitas vezes experienciada pelo nosso país, património histórico e espólio das nossas origens tornam-se residuos semeados ao sabor de um ténue vento que pela sua constância facilita muitas vezes o esquecimento.

Territórios inadaptados, paisagens inqualificáveis.

Perdidos mas não eternamente. Estes são espaços de força nodal intensa, nos quais através dos movimentos artísticos será possível promover uma prática aberta sobre as populações, tornando-as assim pedaço também de história, sensibilizando-as sobre as raízes que sob seus pés vão murchando.